terça-feira, 15 de julho de 2014

"ESTADO" SE ESCREVE COM INICIAL MAIÚSCULA OU MINÚSCULA?

A palavra "estado" tem alguns significados, mas estamos falando, evidentemente, do vocábulo referente ao governo, ao país, ao ente da federação, à entidade jurídica com natureza política.
 
A dúvida, que parece ser frequente, pode ser minimizada - ou mesmo desaparecer, quando atentarmos para uma regra simples.
 
Em se tratando de governo, país ou entidade jurídica com natureza política, deveremos usar sempre a inicial maiúscula:
 
O Estado nem se deu conta de que está sendo passado para trás.
 
A última Constituição do Estado brasileiro foi confeccionada num período de transição política.
 
O Estado tem o dever constitucional de promover a igualdade social.
 
Alguns Estados da América do Sul parecem voltar no tempo.
 
Por sua vez, tratando-se do ente federativo de um país, deveremos optar pela inicial minúscula:
 
O estado do Ceará pertence ao Nordeste brasileiro.
 
Os estados nordestinos ocupam considerável porção do território nacional.
 
O Ceará tem recebido muitos turistas na última década. Esse feito se deve, quase em sua totalidade, às belas praias que nosso estado oferece.
 
Observação: Até bem pouco tempo, era comum a recomendação para se usar, em todos os casos acima, a inicial sempre maiúscula. Todavia, gradativamente os meios de comunicação (e depois respeitáveis dicionários, como o Houaiss) passaram a adotar a regra a que nos referimos acima.
 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

APOLOGIA AO ou APOLOGIA DO? A REGÊNCIA DE APOLOGIA

De acordo com o dicionário Houaiss, a regência de apologia é "de". Logo, dizemos:

Apologia do crime
Apologia dos direitos

"Apologia" é, na verdade, a defesa de algo. E quem defende, faz a defesa de alguma coisa e não "a alguma coisa".

sábado, 25 de janeiro de 2014

A DIFERENÇA ENTRE ONDE E AONDE

De acordo com o ensinamento dos gramáticos, usamos aonde com verbos de movimento e onde com verbos de permanência.

Seriam verbos de movimentos, por exemplo, chegar, levar, ir. Exemplos de verbos de permanência seriam estar, morar, ficar.

Note-se que os verbos de movimento acima mencionados são construídos com a preposição a, enquanto os de permanência com a preposição em. Assim, vejamos como fica a conjugação dos verbos apontados:

Chegar a algum lugar.
Levar a algum lugar.
Ir a algum lugar.

Está em algum lugar.
Morar em algum lugar.
Ficar em algum lugar.

Dadas as dicas em questão, basta verificar a regência a ser empregada, para em seguida escolhermos entre onde e aonde. Vejamos na prática:

Chegaremos aonde mesmo?
Não sei aonde levaram.
Irei aonde me pedir.

Fique onde você está.
Esta é a rua onde ela mora.
Ela está onde tem que ficar mesmo.

Outros exemplos:

Onde você colocou o livro? (Colocou o livro em algum lugar e não a algum lugar)
Dirigiu-se aonde? (Dirigiu-se a algum lugar e não em algum lugar)
Esta é a casa onde ela nasceu e cresceu. (Nasceu e cresceu em algum lugar e não a algum lugar)

Observação:

Precedido de preposições, use sempre onde, mesmo que o verbo seja de movimento (e exija a preposição a):

Até onde ele foi não sei.
De onde você vem?
Para onde iremos?

Deste modo, perceba a diferença:

Ontem ela saiu do hospital, aonde deve retornar a fim de fazer novos exames.
Ontem ela saiu do hospital, para onde deve retornar a fim de fazer novos exames.

Atenção:

Quando na mesma frase houver dois verbos que pedem preposições diferentes, empregue onde ou aonde de acordo com a regência do verbo a quem as palavras em questão estão complementando. De tal modo, completemos, na frase seguinte, o espaço vazio de acordo com este ensinamento:

Dirigiu-se _______ ela está.

Note-se que temos dirigiu-se a algum lugar e está em algum lugar, a primeira com a regência a e a segunda construção com a regência em.

O correto então é Dirigiu-se aonde ela está, pois aonde está complementando o verbo dirigir, que exige a preposição a, e portanto verbo de movimento.

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sábado, 30 de novembro de 2013

AMIGO SECRETO OU AMIGO-SECRETO?

As duas formas estão corretas, mas têm significados diferentes, daí o cuidado na hora de aplicá-las. Em se tratando da festa em si, o correto é "amigo-secreto" (com hífen). No entanto, cada um dos participantes é o "amigo secreto" (sem hífen).

Vejamos as seguintes frases (com os empregos corretos dos referidos termos):

Amanhã acontecerá a festa do amigo-secreto.

O José é meu amigo secreto.

Já sei quem é minha amiga secreta, o que só aumentou minha ansiedade pelo tão sonhado dia do amigo-secreto.

Atenção:

Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa registra somente "amigo-secreto", mas não traz seu significado, o que não é suficiente para se deduzir que não existe a forma "amigo secreto".

O Aurélio, por sua vez, não consigna "amigo-secreto", mas "amigo-oculto" (que tem o mesmo significado).

Discutindo o verbete amigo, o referido dicionário traz "amigo oculto" (sem hífen), e aponta seu significado como sendo cada um dos participantes da festa do amigo-oculto. Logo, fica evidente a diferença entre "amigo-secreto" e "amigo secreto".

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terça-feira, 8 de outubro de 2013

O NOVO TRATAMENTO PROTOCOLAR PARA ADVOGADOS E DELEGADOS DE POLÍCIA

O tratamento dado aos delegados de polícia mudou depois da Lei nº 12.830, de 20 de junho de 2013, os quais deverão ser chamados de "excelência", mesmo tratamento dado aos defensores públicos, juízes e promotores de justiça.
 
Vejamos o que diz o artigo 3º da citada Lei:
 
"O cargo de delegado de polícia é privativo de bacharel em Direito, devendo-lhe ser dispensado o mesmo tratamento protocolar que recebem os magistrados, os membros da Defensoria Pública e do Ministério Público e os advogados."
 
Cabe observar, preliminarmente, que não se deve confundir o tratamento "excelência" com o título "doutor", tanto que a Lei em questão não faz menção a este último, razão por que, de acordo com o Manual de Redação da Presidência da República, somente quem tem doutorado deve receber tal deferência.
 
Depreende-se da mesma Lei, especialmente por seu artigo 2º, que a ascensão protocolar em relação aos delegados de polícia se deve à importante função exercida pelos mesmos, chamada na Lei de "essenciais e exclusivas do Estado".
 
Dos profissionais relacionados à prática jurídica, tínhamos, tradicionalmente, o tratamento "excelência" concedido somente a juízes e promotores de justiça.
 
O artigo 41 da Lei Orgânica Nacional do Ministério Público assim descreve:
 
"Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público, no exercício de sua função, além de outras previstas na Lei Orgânica:
I - receber o mesmo tratamento jurídico e protocolar dispensado aos membros do Poder Judiciário junto aos quais oficiem".
 
Quanto aos defensores públicos, consta da Lei Complementar 80/94 o seguinte:
 
"Art. 128. São prerrogativas dos membros da Defensoria Pública do Estado, dentre outras que a lei local estabelecer:
XIII - ter o mesmo tratamento reservado aos Magistrados e demais titulares dos cargos das funções essenciais à justiça".
 
Merece destacar, em relação aos defensores públicos, que, mesmo diante dessa recomendação, diversos manuais de redação silenciam quanto a essa deferência, embora o dispositivo acima transcrito não comporte ambiguidades.
 
No tocante aos advogados, o mesmo tratamento protocolar encontra amparo pelo processo de analogia, dado que, pela Constituição Federal (Art. 133), "o advogado é indispensável à administração da justiça...", mesmo tratamento institucional dado à Defensoria Pública, descrita na Constituição (Art. 134) como "instituição essencial à função jurisdicional do Estado".

Não use "meritíssimo", pois é privativo de juízes de direito.
 
Nota: Quanto aos empregos das iniciais maiúsculas e minúsculas em títulos, axiônimos, pronomes de tratamento, cargos públicos, profissionais, etc., acesse a página na qual falamos detalhadamente sobre tais casos: Eis o link:
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terça-feira, 20 de agosto de 2013

OITAVAS-DE-FINAL ou OITAVAS DE FINAL? QUARTAS-DE-FINAL ou QUARTAS DE FINAL?

Os seguintes termos (associados aos torneios por eliminação) são designados por escrito sem o hífen. Deste modo, devemos escrever:

A oitava de final,
A quarta de final e
A semifinal.

Os respectivos plurais são:

As oitavas de final,
As quartas de final e
As semifinais.

Fica evidente, portanto, que intercalado pela preposição de, o termo final não vai para o plural, somente o primeiro deles (oitavas e quartas).

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domingo, 23 de junho de 2013

A CONCORDÂNCIA VERBAL COM TÍTULOS DE OBRAS LITERÁRIAS

Geralmente o verbo fica no plural quando o título da obra literária está no plural, embora seja admitido o singular, principalmente quando a concordância é feita com o verbo ser
 
As Cartas Persas é de autoria do francês Montesquieu.
 
As Cartas Persas anunciam o Espírito das Leis. (Manuel Bandeira)
 
As Valkírias foi publicada em 1992.
 
Os Sertões, de Euclides da Cunham, contam a história de uma sangrenta guerra vivida no final do século 19. 
 
Observação: A primeira e a terceira frases poderiam ser construídas com os verbos no plural, enquanto as duas outras frases com os verbos em destaque no singular. No entanto, por questão de estética e de eufonia, caso a concordância não se dê com os verbos ser e estar, melhor é utilizar a concordância no plural, como retratamos na segunda e na quarta frase acima.

Finalmente, cabe observar que em "As Valkírias foi publicado em 1992" a concordância se dá a partir da ideia implícita de livro (ou seja, "O livro As Valkírias foi publicado em 1992").
 
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domingo, 19 de maio de 2013

A CRASE ANTES DOS PRONOMES POSSESSIVOS

De acordo com a norma padrão, é facultativo o emprego da crase antes dos pronomes possessivos, uma vez é facultativo o artigo antes de tais pronomes.

Na frase Ela gostava de meus livros, temos a preposição, mas não temos o artigo antes do pronome meus. Assim, a frase também estaria correta deste modo: Ela gostava dos meus livros, pois a presença do artigo "o" também é possível (de + o = dos).

Do mesmo modo, em Ela se referiu a minha opinião, temos a preposição, mas não o artigo, daí a ausência da crase. Se, todavia, houver o emprego do artigo, a crase é de rigor: Ela se referiu à minha opinião.

Os pronomes até aqui empregados são chamados de possessivos adjetivos, pois acompanham um substantivo. Quando não acompanham um substantivo (chamados de possessivos substantivos), a crase é obrigatória:

Ela se referiu a minha opinião e não à sua.

Temos, na frase logo acima, dois pronomes [minha (pronome adjetivo, pois está acompanhado do substantivo opinião) e sua (pronome substantivo, pois está desacompanhado de substantivo)]. No primeiro dos pronomes, temos a preposição, mas não temos o artigo (daí referiu-se a minha), enquanto no segundo, temos o artigo e a preposição (daí e não à sua).

Vale ressaltar que a frase também poderia ser construída com duas crases, pois bastaria usar o artigo antes do pronome minha:

Ela se referiu à minha opinião e não à sua.

Cumpre destacar que modernamente o artigo tem sido empregado com maior frequência, daí a nossa recomendação para o emprego da crase, até para se evitar ambiguidade.

O emprego facultativo também vale para o início das frases:

Os meus esforços foram recompensados. (correto)
Meus esforços foram recompensados. (correto)

Ainda cabe uma última observação: se o pronome precede o nome de parentesco, não utilize a crase:

Referiu-se a minha mãe.

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domingo, 24 de março de 2013

CÔNJUGE VIRAGO ou CÔNJUGE FEMININO?

Comumente lemos em peças jurídicas (petições de advogados, pareceres do Ministério Público e sentença judiciais) o termo cônjuge virago, quando se faz menção à mulher. É oportuno observar que, na linguagem jurídica, sempre que o operador do direito usa o supracitado termo, ele está se referindo, na verdade, ao sexo feminino de varão. Na prática, os tais operadores dificilmente usam os termos homem e mulher, mas tão somente cônjuge varão (ou somente varão) e cônjuge virago (ou somente virago).
 
A pergunta é: esses operadores do direito estão corretos? Não, não estão! Vamos à explicação.
 
Ainda na Antiguidade, notadamente em um texto de Gênesis, Eva é retratada como virago, cujo nome fora concebido pelo próprio Adão. Sem dúvida uma denotação do feminino de varão. Padre Vieira, no século XVII, ainda fez menção a esse termo como sendo de "honrado nome".
 
Os tempos mudaram e como a língua escrita é viva, o conceito de virago sofreu alteração. A mudança veio mesmo no século XIX, e a prova dessa virada de conceito está em alguns textos consagrados na literatura brasileira.
 
Um desses autores é Euclides da Cunha, que, em Os Sertões, escreveu: "As mulheres eram, na maioria, repugnantes. Fisionomias ríspidas, de viragos, de olhos zanagas e maus".
 
O sobralense Domingos Olímpio (1851 - 1906), em seu romance Luzia-Homem, de 1903, retratando a vida de uma retirante cearense (o episódio ocorre no Ceará, em 1878), de nome Luzia, escreveu: "Mulher que tinha buço de rapaz, pernas e braços forrados de pelúcia crespa e entonos de força, com ares varonis, uma virago, avessa a homens".
 
No referido romance, Luzia é contada como sendo uma mulher com muita força, capaz de superar no labor físico muitos homens fortes, daí o complemento "homem" ao termo "Luzia".
 
O consagrado Gilberto Freyre (1900 - 1987) se utilizou do mesmo sinônimo quando, ao se reportar a uma mulher-homem, a chamou de virago.
 
Modernamente, os dicionários trazem o significado de virago como sendo uma mulher de traços masculinizados. É o que facilmente depreendemos do Aurélio e do Aulete.
 
Abordando o tema, o professor Cláudio Moreno finalizou a questão trazendo a seguinte afirmação: "Se eu usar hoje o termo virago com relação a uma mulher, ela terá todo o direito de se sentir insultada" (destaque do mesmo autor).
 
Considerando, pois, que o significado das palavras tem repercussão direta com seu tempo, é prudente afirmar que de fato chamar uma mulher de virago nos dias atuais pode dar margem para uma reparação judicial, para extrema surpresa de muitos operadores do Direito, inclusive juízes.
 
Assim, melhor dizer cônjuge masculino e cônjuge feminino (da mesma forma como dizemos cobra macho e cobra fêmea), e, sendo o substantivo cônjuge sobrecomum, eu jamais poderia escrever a cônjuge (e muito menos a cônjuge virago), como ainda é possível encontrar em petições de advogados.
 
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domingo, 10 de março de 2013

EMPREGOS DO APÓSTROFO

Tentaremos sintetizar, de forma bastante objetiva, alguns empregos do apóstrofo a partir das prescrições do Acordo Ortográfico de 1990 (atualmente em vigor).
 
1º - Posso escrever e ler em Os Sertões ou n'Os Sertões. Vejamos alguns casos possíveis:
 
Lê-se em Os Sertões sobre a Guerra de Canudos.
Lê-se n'Os Sertões sobre a Guerra de Canudos.
 
Observação 1: O emprego do apóstrofo exige a consoante n na forma minúscula, salvo se iniciar uma frase.
 
A mesma regra vale para em Os Lusíadas e n'Os Lusíadas.
 
Observação 2: Quando não utilizamos o apóstrofo, devemos ter muito cuidado na hora de empregar, na forma escrita, a preposição que antecede o título de uma obra iniciada por artigo (como Os Sertões, por exemplo):
 
Referiu-se a Os Sertões. (e não aos Sertões, nem ao Os Sertões)
Lê-se em A República toda a utopia política de Platão. (e não na República)
Referiu-se a A República. (e não à República)
A Guerra de Canudos está contida também em Os Sertões. (e não nos Sertões)
 
O motivo da exigência é simples: havendo a contração ou a combinação, fica comprometido o exato título da obra. Assim, se o título correto é A República, escrevendo-se na República, estaríamos dizendo que o nome da obra é somente República, o que seria um erro.
 
O texto do acordo abre uma ressalva somente para os casos de leitura, quando também estariam corretas as construções consideradas erradas na escrita, as quais foram utilizadas logo acima. Segue, pois, que, por questão de agrado auditivo (eufonia), eu poderia ler (e não escrever):
 
Referiu-se aos Sertões.
Lê-se na República toda a utopia política de Platão.
Referiu-se à República.
A Guerra de Canudos está contida também nos Sertões.
 
 
2º - Referindo-se a Deus, a Jesus, à mãe de Jesus e à Providência, obrigatoriamente devemos escrever (e ler), quando optarmos pelo apóstrofo:
 
A salvação só poderá vir d'Ele. (de Jesus ou de Deus)
Está n'Ela, aos pés da cruz, a marca do sofrimento materno. (da mãe de Jesus)
Hitler sempre confiou na Providência, e via n'Ela a chance de reverter o destino que o celou.
 
Observação 1: Referindo-se aos mesmos personagens, devemos escrever (quando não utilizarmos o apóstrofo) com iniciais minúsculas os vocábulos correspondentes:
 
A salvação só poderá vir Dele. (de Jesus ou de Deus)
Está Nela, aos pés da cruz, a marca do sofrimento materno. (da mãe de Jesus)
Hitler sempre confiou na Providência, e via Nela a chance de reverter o destino que o celou.

Observação 2: Esta regra não vale para os demais santos católicos, nem para os personagens de outra religião e muito menos para quaisquer outros personagens históricos, por mais ilustres que sejam. Certamente estamos diante de um caso de flagrante influência que o cristianismo ainda exerce nos países signatários do presente Acordo.
 
 
3º - Nos compostos tradicionalmente escritos com o dito apóstrofo: cobra-d'água, olho-d'água, galinha- -d'água, caixa-d'água, estrela-d'alva, mãe-d'água, etc.
 
 
4º - Não se utiliza o apóstrofo em construções do tipo: destas, daquela, daqueloutro, dacolá, dantes, dalgum (de algum), doutro, doutrora, doutrem, etc.


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domingo, 17 de fevereiro de 2013

À MEDIDA QUE ou NA MEDIDA EM QUE?

Há uma diferença considerável entre as locuções à medida que e na medida em que. Basta atentarmos para o fato de que à medida que se aplica quando nos referimos à ideia de proporção, ao passo que na medida em que à ideia de causa ou condição.
 
Vamos analisar as três frases abaixo:
 
1 - À medida que se estuda, mais se amplia o conhecimento.
2 - O corte no orçamento é injusto, na medida em que afeta principalmente a classe trabalhadora.
3 - O último portão só deverá ser aberto na medida em que efetivamente ajudar a aumentar o fluxo dos visitantes.
 
A primeira das frases nos remete ao sentido de proporção; a segunda, de causalidade; a terceira, de condição.
 
O método prático para se saber qual locução usar é o seguinte: substitua as referidas locuções por à proporção que, desde que (ou pois ou porque) e por se. Vamos fazer as substituições na ordem apresentada:
 
1 - À proporção que se estuda, mais se amplia o conhecimento.
2 - O corte no orçamento é injusto, pois afeta principalmente a classe trabalhadora.
3 - O último portão só deverá ser aberto se efetivamente ajudar a aumentar o fluxo dos visitantes.

Sempre que se puder usar à proporção que, use à medida que (e não na medida em que). Por sua vez, sempre que se puder empregar se ou pois ou porque, use na medida em que (e nunca na medida que nem à medida que). Não existe a locução na medida que.
 
Ficou demonstrado, portanto, que as substituições não alteraram o sentido das frases originais, de modo que as locuções foram devidamente aplicadas.
 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

ERA PERTO ou ERAM PERTO DE CINCO HORAS?

De acordo com Cegalla, "Estando a expressão que designa horas precedida da locução perto de, hesitam os escritores entre o plural e o singular".

Assim, ainda citando Cegalla, Machado de Assis utilizou as duas opções:

"Eram perto de oito horas" e "Era perto das duas horas quando saiu da janela",

enquanto Eça de Queiroz assim escreveu:

"...era perto das cinco quando saí".

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sábado, 12 de janeiro de 2013

COMPARECER A ou COMPARECER EM?

Na linguagem padrão se recomenda comparecer a e não comparecer em. Assim, são incorretas as frases do tipo:
 
Intime-se o réu, a fim de que compareça na sala de audiências. 
Ele compareceu no Fórum pontualmente às 10 horas.
 
 
De acordo com a regra devemos escrever corretamente:
 
 
Intime-se o réu, a fim de que compareça à sala de audiências.
Ele compareceu ao Fórum pontualmente às 10 horas.
 
 
Vale ressaltar que se deve atentar para o correto emprego da preposição (com ou sem crase ou realizando a combinação a + o = ao), conforme fizemos nos dois exemplos citados.
 
Conforme é visto em muitos expedientes forenses, é comum o emprego incorreto da preposição "em", como na frase escrita logo no início desta postagem.
 
Outra aparente dúvida se deve quanto ao emprego da regência do verbo chegar, razão por que frequentemente alguns indagam se devemos escrever "Chegou a Fortaleza", "Chegou em Fortaleza" ou ainda "Chegou à Fortaleza".
 
Sobre este assunto recomendamos o que escrevemos noutra ocasião (clique no link abaixo):
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domingo, 2 de dezembro de 2012

PAPAI NOEL ou PAPAI-NOEL?

Consideremos a frase logo abaixo, escrita corretamente quanto aos empregos do hífen e das iniciais maiúsculas e minúsculas:
 
A criança recebeu, na noite de Natal, um papai-noel do Papai Noel.
 
A primeira indagação a ser feita seria sobre a possibilidade de escrevermos o vocábulo em questão com ou sem hífen, bem como se seria possível o emprego de ambas as iniciais: maiúsculas e minúsculas.
 
Vamos às respostas.
 
Em se tratando do personagem folclórico natalino, devemos escrever Papai Noel (sem hífen e com as iniciais maiúsculas - neste caso por se tratar de um nome próprio, mesmo fictício, conforme recomenda o novo acordo ortográfico). O itálico, aqui, é mero destaque.
 
Já o vocábulo papai-noel (com hífen e com iniciais minúsculas) significa "presente de Natal", daí as diferenças do outro vocábulo acima mencionado.
 
Vale ressaltar que o segundo termo não é usado no dia a dia (muito menos na época apropriada), razão por que - acreditamos - praticamente nem é disseminado pelos mais diversos meios de comunicação.
 
Finalmente, cabe a observação de que o Volp registra papai-noel, mas não traz seu significado. Daí a necessidade de uma consulta a um renomado dicionário (como o Aurélio, que explica essa diferença).
 
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domingo, 11 de novembro de 2012

AS MILHARES ou OS MILHARES DE PESSOAS?

Milhares, milhões e bilhões deverão ser escritos no masculino. Sempre no masculino.
 
Os vocábulos em questão são classificados, de acordo com o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, como numerais e substantivos masculinos.
 
Sendo assim, os numerais, pronomes e artigos que os antecedem não podem ficar no feminino. Vejamos algumas frases corretas:
 
Estão armazenados no armazém dois milhares de sacas de feijão.
 
Os dois milhares de plantas foram destruídos.
 
Os bilhões de criaturas humanas em breve brigarão por água potável.
 
Alguns milhares de casas não estão dignas de moradia.
 
Os milhares de pessoas se amontoavam como nunca visto antes.
 

Observação: Quando o sujeito da oração for um desses vocábulos, o particípio ou o adjetivo podem concordar no feminino, dada a atração com o substantivo feminino plural.

De tal modo, está justificada a concordância que fizemos no penúltimo exemplo. Observe que não usamos "dignos" e sim "dignas". Atente que nos demais exemplos sempre empregamos a forma masculina.

Pela mesma regra, poderíamos escrever:

Estão armazenadas no armazém dois milhares de sacas de feijão.
 
Os dois milhares de plantas foram destruídas.

Os bilhões de criaturas humanas em breve brigarão por água potável.

Alguns milhares de casas não estão dignos de moradia. (Forma menos recomendada, por questão de eufonia)

Por questão de eufonia e estética, é que nesta última frase (a mesma penúltima das primeiras apontadas) recomendamos o emprego feminino e não o masculino. Nos demais casos, o masculino tem nossa recomendação.

Mas atenção: Perceba que os vocábulos escritos antes de milhares, milhões e bilhões permanecem no masculino, ainda que os particípios fiquem no feminino.
 
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domingo, 21 de outubro de 2012

É CORRETO DIZER "A EMPRESA INDENIZARÁ OS PREJUÍZOS"?

Não, não é correto.

Diz-se corretamente: A empresa indenizará o funcionário pelos prejuízos.

Também não se deve dizer: A empresa indizerá ao funcionário pelos prejuízos, uma vez que o verbo indenizar é transitivo direto de pessoa e, quando indireto, de coisa:
 
Indenizei o colega dos gastos feitos na viagem.
 
Consequentemente, são desaconselhadas  as seguintes construções:
 
Os prejuízos do funcionário foram indenizados pela empresa.
 
O funcionário teve os prejuízos indenizados pela empresa.
 
Mas atenção:
 
As duas últimas construções acima citadas são costumeiramente adotadas por alguns meios de comunicação, daí encontrarmos manchetes como "Prejuízos causados por _____ são indenizados".
 
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sábado, 29 de setembro de 2012

A MAIÚSCULA E A MINÚSCULA NOS NOMES COMPOSTOS

Nomes compostos podem ser escritos com ou sem hífen, e podem ainda ter suas iniciais maiúsculas ou não. Vejamos algumas situações:
 
Devo escrever "Ela é uma maria vai com as outras" ou "Ela uma Maria vai com as outras"? "Sexta-feira iremos à festa" ou "Sexta-Feira iremos à festa"? "Lá vem o Ursinho de Pelúcia" ou "Lá vem o ursinho de pelúcia"?
 
Vamos às regras.
 
A Base XIX, 2º, do último Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, diz que os antropônimos (reais ou fictícios) devem ter suas iniciais maiúsculas. Ou seja, os nomes de registro e os apelidos têm as iniciais maiusculizadas.
 
Suponhamos que "ursinho de pelúcia" seja o apelido de determinada pessoa. Diremos, então: "Estamos sentindo a falta do Ursinho de Pelúcia". Este mesmo composto deixaria ter suas iniciais maiúsculas se, em vez de tratar essa pessoa pelo apelido, houvesse a designação de um modo carinhoso ao se dirigir a ela, como a uma pessoa especial: "Lá vem meu ursinho de pelúcia".
 
Como se vê nesta última acepção, não temos um apelido, mas uma expressão carinhosa, uma interpelação afável.
 
Antes de qualquer decisão acerca de qual inicial usar (se maiúscula ou não) devemos atentar para o tipo de substantivo, se próprio ou comum. Este, no caso, é sempre escrito com a inicial minúscula, ainda que dele faça parte um único substantivo próprio.
 
Exemplos:
 
"Ela é uma maria vai com as outras" (e não: Maria vai com as outras).
 
"Isto é um deus nos acuda" (e não: Isto é um Deus nos acuda).
 
Doutro modo, o correto é:
 
"Que Deus nos acuda!", pois não temos elementos compostos. Nos compostos com substantivos comuns (p. ex.: sexta-feira) as iniciais minúsculas são de rigor, a menos que estejam em início de frase, em cuja situação somente a inicial do primeiro elemento é maiusculizada: "Sexta-feira iremos ao clube".
 
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

CHEGAR A ou CHEGAR EM?

Na língua padrão, a regência verbal de "chegar" exige a preposição "a" e não a preposição "em". Assim, vejamos algumas construções corretas:

Chegamos a Quixadá hoje cedo. (e não Chegamos em Quixadá)

Chegamos ao restaurante pontualmente. (e não Chegamos no restaurante)

Chegamos a Fortaleza com meia hora de atraso. (e não Chegamos em Fortaleza)

Ao chegarmos ao local combinado, fomos surpreendidos. (e não Ao chegarmos no local)

Quando chegamos à piscina, todos já haviam saído. (e não Quando chegamos na piscina)


Atenção: A regra vale para outros verbos que designam movimentos (ir, vir, voltar...):


Fomos à praia. ( e não Fomos na praia)

Voltamos ao local do acidente. (e não Voltamos no local)


Observação: Na linguagem coloquial é admitido o emprego da preposição "em", porém evite-o na linguagem escrita e na linguagem falada em ocasiões que exigem a língua padrão.


Nota: Quando usados como intransitivos, em construções do tipo "Chegamos cedo", temos um sujeito (nós), um verbo intransitivo (chegamos) e um adjunto adverbial (cedo), razão por que não se exige a preposição.

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sábado, 4 de agosto de 2012

TENHO MUITO QUE FAZER ou TENHO MUITO O QUE FAZER?

Analise as seguintes proposições:

I - Priscila tem muito o que fazer.
II - Priscila tem muito que fazer.
III- Priscila não sabe que fazer.
IV - Priscila não sabe o que fazer.

De acordo com o que recomenda a língua padrão, assinale a opção verdadeira:

a) ( ) Todas as proposições estão corretas.
b) ( ) Somente as proposições I e IV estão corretas.
c) ( ) Somente as proposições II e III estão corretas.
d) ( ) Somente as proposições II e IV estão corretas.
e) ( ) Somente as proposições I e III estão corretas.


RESPOSTA: As opções II e IV são as duas corretas.

Sendo empregado um dos pronomes (mais, muito, pouco, nada) antes do "que", não se faz necessária a presença do pronome "o":

Priscila tem pouco que fazer.

Priscila tem mais que fazer.

Errado, portanto:

Priscila tem pouco o que fazer.

Priscila tem mais o que fazer.

Nos demais casos, temos o pronome demonstrativo "o:

Priscila não sabe o que fazer.

Priscila sabe o que fazer.

Priscila tem o que fazer. (Note a diferença: Priscila tem mais que fazer.)

Sei o que fazer. (E não: Sei que fazer.)

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

"EU NEGOCEIO" ESTÁ CORRETO?

Analisemos as seguintes proposições:

I - Eu negocio diretamente com o cliente.
II - Eu negoceio diretamente com o cliente.
III - Eu premio o vencedor.
IV - Eu premeio o vencedor.

Aponte, agora, a única opção verdadeira:

a) ( ) As quatro proposições estão corretas, uma vez que o novo Acordo sancionou a segunda e a quarta frases.

b) ( ) Somente a segunda e a quarta proposições estão corretas, uma vez que o novo Acordo passou a condenar a primeira e a terceira alternativas.

c) ( ) O novo Acordo não mexeu com os verbos em questão, de modo que permanecem como verdadeiras somente as construções I e III.

d) ( ) A nova mudança consiste no seguinte: a sílaba tônica passa a ser na mesma sílaba tônica do substantivo correspondente, surgindo, então as seguintes construções: eu negócio e eu prêmio.

e) ( ) Há somente uma proposição errada.


Resposta: A alternativa "a" é a verdadeira.

Diz a alínea "e" (parte final) da Base V do Acordo de 1990:

"...Existem, no entanto, verbos em -iar, ligados a substantivos  com as terminações átonas -ia ou -io, que admitem  variantes na conjugação: negoceio ou negocio (cf. negócio); premeio ou premio (cf. prémio/prêmio); etc.".

Mesmo sendo corretos os empregos "Eu negoceio" e "Eu premeio", dificilmente passaremos a adotá-los, porque do ponto de vista estético não nos parece algo familiar, senão algo que foge à norma padrão. Mas as duas formas estão corretas!

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

A MAIORIA ERA ou A MAIORIA ERAM?

Analisemos as seguintes proposições:

I - A maioria gostam de estudar.
II - A maioria gosta de estudar.
III - A maioria eram estudantes.
IV - A maioria era estudantes.

Sobre o emprego da concordância verbal, assinale a única opção verdadeira:

a) ( ) As quatro alternativas estão corretas.
b) ( ) As alternativas I e III estão erradas.
c) ( ) As alternativas II e IV estão corretas.
d) ( ) As alternativas I e IV estão erradas.
e) ( ) Há somente uma alternativa errada.

 Resposta: Tratando-se do verbo "ser", se o sujeito é uma palavra (ou expressão) de sentido coletivo, e sendo o predicativo um substantivo no plural, o verbo fica no referido plural.

Assim, o correto é "A maioria eram estudantes".

Se, no entanto, a palavra de sentido coletivo vier especificada, posso deixar o verbo no singular ou no plural:

"A maioria dos presentes eram estudantes" e "A maioria dos presentes era estudantes".

Não se tratando do verbo "ser", o singular é de rigor desde que a palavra de sentido coletivo não venha especificada, como no seguinte exemplo: "A maioria gosta de estudar".

No entanto, havendo a especificação acima mencionada, são lícitas as  duas construções seguintes:

"A maioria dos candidatos gosta de estudar" e "A maioria dos estudantes gostam de estudar".

A opção "d" é a resposta do problema.

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

QUE EU ÁGUE, QUE EU AGÚE ou QUE EU AGUE? (QUESTÃO JÁ RESPONDIDA)


Analise as conjugações verbais do verbo aguar:

I - Que eu águe a planta todos os dias!
II - Que eu agúe a planta todos os dias!
III - Que eu ague a planta todos os dias!

Considerando as recentes alterações ortográficas, aponte a única opção correta:

a) ( ) Somente a proposição "III" está errada.
b) ( ) Somente a proposição "II" está correta.
c) ( ) Somente a proposição "I" está correta.
d) ( ) Somente a proposição "II" está errada.
e) ( ) Somente a proposição "III" está correta.

Resposta: A conjugação destes verbos sofreu alterações com a última reforma ortográfica.

O "u" tônico não deve mais ser acentuado. Nesta acepção, eu posso escrever "Eu aguo", mas jamais "Eu agúo".

A outra mudança diz respeito à possibilidade do emprego de uma variante com o "u" átono, cujo acento recai na primeira sílaba. Nesta acepção, eu posso escrever "Eu águo".

Pela regra, são corretas as construções "Que eu águe" e "Que eu ague", com o "u" tônico na segundo construção.

Vejamos mais exemplos:

Ele água/agua a planta.

Eu apazíguo.

Eu apaziguo. (u tônico)

Eu averíguo.

Eu averiguo. (u tônico)

Conforme notamos, a mesma regra vale para os verbos apaziguar, averiguar, delinquir e apropinquar.

As construções populares "Eu agou a planta" e "Ele agoa a planta" sempre foram erradas do ponto de vista da língua padrão.

A opção "d", portanto, é a única resposta correta.

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

O POSSESSIVO DETERMINANDO DOIS SUBSTANTIVOS DO SINGULAR


Sobre o emprego do pronome possessivo determinando dois substantivos do singular, aponte a alternativa que melhor se submete à língua padrão:

a) ( ) Hoje teremos a presença do nosso Pedro e do nosso Rafael.
b) ( ) Hoje teremos a presença dos nossos Pedro e Rafael.
c) ( ) Hoje teremos a presença do nosso Pedro e Rafael.

Resposta: Do ponto de vista gramatical as duas primeiras opções estão corretas; no entanto, a segunda (b) se mostra mais indicativa.

Abordando o tema, Bechara transcreve o comentário feito pelo linguista Álvaro Ferdinando de Sousa da Silveira (1883 - 1967) acerca do seguinte texto de Manuel Odorico Mendes (1799 - 1864), autor das primeiras traduções integrais das obras de Virgílio e Homero:

"e os nossos Basílio e Durão, bem assim o Sr. Magalhães...".

O comentário de Sousa da Silveira foi o seguinte:

"O possessivo no plural, determinando dois substantivos do singular, e evitando assim o impreciso de 'o nosso Basílio e Durão' e o pesado de 'o nosso Basílio e o nosso Durão'".

Chamou de "impreciso", no primeiro caso, pelo fato do pronome no singular, no contexto em questão, ser empregado quando determina dois substantivos que se referem a uma só pessoa, a exemplo de "O nosso advogado e prefeito". Aqui, fica evidenciado que se trata de uma pessoa, que ao mesmo tempo é advogado e prefeito. Isto justifica a não recomendação da opção "c".

Chamou de "pesado" pelo fato de se utilizar a duplicidade do pronome "nosso" com referência a dois substantivos que indicam duas pessoas. Isto justifica a não recomendação da opção "a".

Resta-nos, pois, a opção "b", corretamente assinalada.

Por analogia podemos escrever e dizer mais acertadamente:

"Acabaram de chegar os nossos prefeito e vereador".

"Acabaram de chegar as nossas prefeita e vereadora".

Sendo os substantivos um masculino e o outro feminino, melhor escrever

"Acabaram de chegar o nosso prefeito e a nossa vereadora".

"Acabaram de chegar a nossa vereadora e o nosso prefeito".

Evitem-se, por questão de eufonia, frases do tipo:

"Acabaram de chegar os nossos vereadora e prefeito".

"Acabaram de chegar os nossos prefeita e vereador".

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sábado, 31 de março de 2012

RESIDENTE NA RUA TAL ou RESIDENTE À RUA TAL? MORA NA RUA TAL ou MORA À RUA TAL?

Analise as seguintes proposições:

I - Os dois moram na rua Presidente Kennedy. 
II - Os dois moram à rua Presidente Kennedy.
III - Os dois residem à rua Presidente Kennedy.
IV - Os dois residem na rua Presidente Kennedy.

Levando em conta a regência dos verbos "residir" e "morar", assinale a única resposta correta.

a) ( ) As proposições II e III são as únicas corretas.
b) ( ) As proposições I e IV são as únicas corretas.
c) ( ) Todas as proposições estão corretas.

Resposta: A regência de ambos os verbos exige a preposição "em" e não a preposição "a".

São erradas, portanto, as construções do tipo: "Residente à rua" e "Mora à rua".

Devemos escrever (e dizer): "Residente na rua" e "Mora na rua". A opção "b" é a única verdadeira.
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sexta-feira, 9 de março de 2012

DEVENDO SER ou DEVENDO SEREM

Analise as seguintes proposições:

I - As testemunhas serão ouvidas, devendo ser mantidos os réus ausentes do recinto.

II - As testemunhas serão ouvidas, devendo serem mantidos os réus ausentes do recinto.

IIII - As testemunhas serão ouvidas, devendo ser mantido os réus ausentes do recinto.

Sobre o emprego de devendo ser(em) mantido(s), é correto afirmar:

a) ( ) A proposição I é a única correta.
b) ( ) A proposição II é a única correta.
c) ( ) A proposição III é a única correta.
d) ( ) Há duas proposições corretas.
e) ( ) As três proposições estão corretas.

Resposta:

Trata-se de uma locução verbal, e como tal, o verbo principal não é flexionado. “Devendo ser” é formado por um auxiliar modal (dever) e um verbo principal (ser), embora este tenha sido popularizado como um dos principais verbos auxiliares (ao lado de estar, ter e haver).

É importante observar que é o verbo principal que dá sentido à expressão verbal. Assim, em “Ele vai fazer uma prova hoje”, o verbo “fazer” (principal) é indispensável à cognição, ao sentido da frase ou do que de fato se quer dizer. 

Retiremos o verbo auxiliar (ir) e podemos ter o seguinte texto: “Ele fará uma prova hoje”.

Observe que, retirando-se o auxiliar, mas mantendo o principal, o sentido permanece. Porém, fazendo o inverso, temos uma construção sem sentido, incompleta: “Ele vai concurso hoje”. Assim, para se saber com exatidão quem é o principal, é só atentar para o que acabamos de recomendar.

Vamos, agora, descobrir quem é o verbo principal na locução verbal “devendo ser” em “As testemunhas serão ouvidas, devendo ser mantidos os réus ausentes do recinto”.

Primeiramente vamos manter o verbo “dever” e retirar o “ser”: “As testemunhas serão ouvidas, devendo mantidos os réus ausentes do recinto”.

Vamos, agora, fazer o inverso: excluir o verbo “dever” e manter o verbo “ser”: “As testemunhas serão ouvidas, e serão mantidos os réus ausentes do recinto”.

Nota-se, pois, que “dever” é o verbo auxiliar, ao passo que “ser”, o principal. Pois bem: diz-nos a regra que, numa locução verbal, o verbo principal nunca é flexionado, sendo que o mesmo se apresenta no gerúndio, particípio ou no infinitivo. Como “ser” é o verbo principal, jamais ele pode ser flexionado, o que impossibilita a construção “devendo serem”, assim como “podendo serem”. O certo é escrever sempre “devendo ser” e “podendo ser”.

Com relação a “mantidos” ou “mantido”, tal particípio concorda com o sujeito relacionado, no caso “réus”(no plural). Assim, a frase também ficaria correta deste modo:

“As testemunhas serão ouvidas, devendo os réus ser mantidos ausentes do recinto”.

A opção “a” é a única verdadeira.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

REGÊNCIA DE "DÚVIDA"

Analise as seguintes proposições:

I - Raquel tem dúvidas do procedimento adotado pela faculdade.
II - Raquel tem dúvidas acerca do procedimento adotado pela faculdade.
III - Raquel tem dúvidas em relação ao procedimento adotado pela faculdade.
IV - Raquel tem dúvidas sobre o procedimento adotado pela faculdade.

Marque a única alternativa verdadeira, levando em conta a regência nominal de "dúvida":

a) ( ) Todas as proposições estão corretas.
b) ( ) Somente a proposição IV está errada.
c) ( ) Somente a proposição I está errada.
d) ( ) As proposições I e IV estão erradas.
e) ( ) Há somente uma proposição correta.

Resposta: Todas as proposições estão corretas; logo, a primeira opção é a única verdadeira.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A GENTE VAMOS

Em uma conversa cotidiana, José diz para Maria: "A gente vamos hoje e volta amanhã". A questão é: os verbos "ir" e "voltar" estão devidamente empregados na referida frase?

Do ponto de vista gramatical não há erro na frase, mas, na linguagem formal, não devemos usar o verbo no plural. Por que, enfim, "A gente vamos" está correto?

A concordância se dá de palavra para palavra ou de palavra para sentido. No primeiro caso, por exemplo, a seguinte frase pode nos servir de modelo: "Eles disseram que José virá".

O verbo "dizer", no plural, está concordando com a palavra "eles", ao passo que o verbo "vir" está no singular porque está se referindo ao substantivo "José". Conforme se vê, temos a concordância de palavra para palavra.

Já em "O povo disse que não aceitará mais enrolação política, de sorte que estavam dispostos a enfrentar qualquer tentativa contrária", a conjugação verbal "estavam" - que se refere ao substantivo "povo" - se acha no plural porque está concordando com a ideia de pluralidade contida no referido substantivo. É a concordância de palavra para sentido, ou, no dizer gramatical, temos uma silepse.

Assim, do ponto de vista gramatical, não haveria erro em "A gente vamos", "A gente fomos", etc.

No entanto, como bem assinala Evanildo Bechara, "A língua moderna impõe apenas a condição estética" como critério para se escolher a frase a ser empregada.

Neste sentido, note que em "O povo disse que não aceitará mais enrolação política, de sorte que estavam dispostos a enfrentar qualquer tentativa contrária", o verbo conjugado no plural (estavam) se acha distante do substantivo "povo", daí a tolerância de seu emprego.

Segue-se, pois, que a construção "A gente vamos" só é admitida em se tratando de linguagem coloquial, seja ela em momento de representação (teatro, cinema), seja ela na vida real. Do mesmo modo, estando o verbo distante na frase do sujeito a que se refere, é possível o emprego da conjugação no plural.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ELE CONVERSOU COM O DIRETOR E DEMAIS SERVIDORES ou ELE CONVERSOU COM O DIRETOR E COM OS DEMAIS SERVIDORES?

Tanto é correto escrever O juiz conversou com o diretor e demais servidores, como O juiz conversou com o diretor e com os demais servidores.

Em construções como estas a preposição pode ser empregada ou omitida, desde que não deixe o sentido obscuro.

Já na frase:

O servidor conversou com o juiz e diretor, a omissão da preposição antes do vocábulo diretor pode gerar ambiguidade, uma vez que não se sabe ao certo se o servidor conversou com o juiz (que também era diretor do Fórum) ou se com o juiz e com o diretor da secretaria.

Assim, em situações como as descritas acima, melhor empregar, por questão de clareza, a preposição em dose dupla.

Junto de pronomes pessoais tônicos, é preferível o emprego duplicado da preposição:

Ele se voltou contra mim e contra ti.

Evite, portanto:

Ele se voltou contra mim e ti.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

NASCIDO A ou NASCIDO EM?

As duas opções estão corretas. Tanto posso empregar a preposição "a" como a preposição "em", desde que se faça menção ao tempo. Em se tratando de lugar, use sempre "em" e nunca "a".

Assim, posso escrever (e dizer):

Fulano Sicrano Beltrano, natural de Quixadá, nascido em 27 de janeiro de 2012.

OU

Fulano Sicrano Beltrano, natural de Quixadá, nascido a 27 de janeiro de 2012.


Use "aos" se acompanhado da palavra "dias", embora a omissão da referida palavra não constitua um erro:

Fulano Sicrano Beltrano, natural de Quixadá, nascido aos 27 dias de janeiro de 2012.


Vejamos outros exemplos válidos:

O juiz chegou à comarca em 27 de janeiro de 2012.

O juiz chegou à comarca a 27 de janeiro de 2012.

Nascido em Senador Pompeu, a 27 de janeiro de 2012.

Nascido em Senador Pompeu, em 27 de janeiro de 2012.

Nunca escreva:

Nascido a Aquiraz, em 27 de janeiro de 2012.

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

SOUSA OU SOUZA? TERESA OU TEREZA? LUÍS OU LUIZ? ISABEL OU IZABEL? TOMÁS OU TOMAZ? BALTASAR OU BALTAZAR? QUEIRÓS OU QUEIROZ? ELISEU OU ELIZEU? MANUEL OU MANOEL? HELOÍSA OU ELOÍSA? LUÍSA OU LUÍZA?

Os nomes próprios devem se sujeitar às regras gramaticais ou não? Os nomes em questão são escritos com "s" ou "z"? Com "u" ou "o"?

São dúvidas frequentes, as quais, muitas vezes, afetam pessoas de várias classes sociais, doutas ou não. O que dizem as gramáticas sobre os nomes próprios em questão?

O correto é usar o "s" e não o "z": Sousa, Luís, Luísa, Inês, Valdês, Eliseu, Teresa, Isabel, Tomás, Baltasar, Queirós. Em Heloísa, além do "s", temos o "h". O correto é escrever Manuel e não Manoel.

Atente para o uso do acento, que somente deve existir nos casos sujeitos às regras gramaticais pertinentes à acentuação gráfica. É o caso, por exemplo, de "Queirós", que tem acento por ser uma oxítona terminada em "o" (seguido ou não de "s").

Em "Luís", por exemplo, o motivo do acento difere de "Luiz", que não deve ser acentuado porque não se acentuam os oxítonos terminados em "z".

E como ficam os casos dos nomes próprios já registrados (já registrados e não os novos registros)? Fica a critério de cada um, seja em relação à ortografia, seja em relação à acentuação. Assim, embora deva existir acento em "Zanílton" (paroxítona terminado em "n"), há casos em que o registro foi feito sem o acento, um erro gramatical, mas permitido.

A reforma ortográfica, em sua Base XXI, abordou o tema. Diz o texto na íntegra:


"Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registro legal, adote na assinatura do seu nome. Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos que estejam inscritos em registro público".

Vale observar que muitos erros gramaticais nos nomes próprios de pessoas se devem em razão da falta de conhecimento dos servidores dos cartórios, que deveriam instruir os pais acerca do bom uso gramatical. Em outros casos, ainda que o servidor perceba o erro, são os pais que insistem em manter o nome com o referido erro, muitas vezes para conservar a tradição do sobrenome familiar.

Alheios à boa ordem gramatical, muitos afirmam que, em se tratando de nome próprio de pessoa, é lícito ferir as regras pertinentes ao caso. Não é bem assim. O que se admite, como bem destaca a Base XXI do Acordo, é a conservação de um nome para ressalva de direitos.

Assim, se você é registrado como "Andréia", embora hoje o acento constitua um erro, você não precisa alterar o registro (retirando o acento), mas, por outro lado, não pode afirmar que o acento se enquadra aos casos sujeitos à acentuação gráfica.

Conclui-se, portanto, que os cartórios de registro civil devem ficar atentos às novas regras, e, sempre que possível, convencer os pais no sentido de submeterem os nomes de seus filhos à nova realidade, ainda que em relação aos sobrenomes seja mais difícil, por razões ligadas à tradição ou até mesmo para evitar problemas burocráticos, como é o caso, por exemplo,  dos pais e irmãos serem registrados com "Souza" e o caçula ser registrado com "Sousa".
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

EMPREGOS DO VERBO HAVER

Analise as seguintes proposições:

I - Há 10 dias que o grevista não se alimentava.
II - Houve dias turbulentos.
III - Os grevistas pediram-lhes que houvesse piedade deles.
IV - Todos eles se houveram com educação.
V - Se não fosse a chuva, teriam havido outros espetáculos.

Levando em consideração os empregos do verbo haver, assinale a única opção correta:

a) ( ) Somente as proposições II e IV estão corretas.
b) ( ) Somente as proposições I e II estão corretas.
c) ( ) A proposição I está correta e a proposição IV está errada.
d) ( ) Há três proposições corretas.
e) ( ) Há quatro proposições corretas.

Resposta: Somente as proposições II e IV estão corretas. Vamos à explicação:

Proposição I > O correto é "Havia dias que o grevista não se alimentava". Existindo na mesma frase um verbo no pretérito imperfeito (no caso em questão "alimentava"), o verbo "haver" também fica no pretérito imperfeito. Doutro modo teríamos "Há dias que o grevista não se alimenta". Observe que estando o verbo "alimentar" no presente, no referido tempo e modo é conjugado o verbo "haver".

Proposição II > O verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal, daí ficar sempre no singular.

Proposição III > No sentido de "ter", o verbo "haver" é pessoal, ou seja, pode ser conjugado de acordo com o pronome e o sentido de sigularidade ou pluradidade utilizados. Na frase em questão, o verbo "haver" deveria estar no plural: "Os grevistas pediram-lhes que houvessem piedade deles", ou seja, "Os grevistas pediram a eles [pessoas indeterminadas] que tivessem piedade deles [dos grevistas]". Outro exemplo: "Gostaria que vocês houvessem piedade da vítima".

Proposição IV > No sentido de "portar-se", o verbo "haver" é pessoal (cf. explicação da proposição anterior). Assim, a frase dita de outro modo, temos: "Todos eles se portaram com educação".

Proposição V > O verbo "haver" em questão é impessoal, com sentido de "existir" (cf. a explicação da proposição II).

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

ANO NOVO OU ANO-NOVO?

É comum, no mês de dezembro, lermos e ouvirmos a seguinte frase: "Feliz Natal e um próspero ano novo".

Não seria "Feliz Natal e um próspero ano-novo"?

Ou quem sabe "Feliz Natal e um próspero Ano-Novo"?

E finalmente por que não "Feliz Natal e um próspero Ano Novo"?

As dúvidas, portanto, giram em torno do emprego do hífen e das iniciais maiúsculas em "Ano" e "Novo".

O § 2º, alínea "e", do texto oficial do Acordo Ortográfico diz que deverão ser escritos com iniciais maiúsculas os vocábulos que designam nomes de festas e festividades.

Eis o porquê de sempre escrevermos "Natal", com a inicial maiúscula. Quanto a outra festa em questão, podemos afirmar, por analogia, que as maiúsculas também são de rigor, caso se trate da festividade de passagem de ano.

E quanto ao hífen? Há duas situações: se o vocábulo designa o ano inteiro, de 12 meses, devemos escrevê-lo sem hífen e com as iniciais minúsculas. Se, por sua vez, diz respeito ao chamado "Réveillon", melhor escrevê-lo com hífen e com as iniciais maiúsculas:

Feliz Natal e um próspero ano novo. (= Feliz Natal e um próspero 2012.)

Feliz Natal e um excelente Ano-Novo. (= Feliz Natal e um excelente Réveillon.)

Assim, devemos ficar atentos ao que realmente queremos dizer. Note que é possível a construção:

"Desejo a todos um Ano-Novo festivo e um próspero ano novo".

Tal posicionamento adotado por este blog não tem unanimidade, nem entre os dicionaristas, nem entre a imprensa escrita. O Aurélio, por exemplo, discutindo o verbete em questão, traz o seguinte:

"ano-novo

substantivo masculino.

1.O próximo ano; o ano entrante:

'Estamos com sono, vamos dormir. Damos boa noite, bom ano-novo, eu abraço meu tio.' (Ricardo Ramos, Matar um Homem, p. 168.)

2.A meia-noite do dia 31 de dezembro; ano-bom.

3.O dia 1º de janeiro; ano-bom. [Pl.: anos-novos.]"


Perceba que, pelo ensinamento do citado dicionário, o uso do hífen e das iniciais minúsculas é de rigor, seja em relação às festividades da passagem do ano, seja em relação ao ano inteiro.

A imprensa, por sua vez, aparentemente tem ignorado o hífen, oscilando apenas em relação às iniciais, independentemente do significado.

Reafirmamos nossa postura, a saber: Ano-Novo (= festividades de passagem de ano) e ano novo (= ano inteiro, período de 12 meses).

Frisamos, mais uma vez, que a alínea "e" do parágrafo 2º do Acordo nos autoriza o uso das iniciais maiúsculas quando o vocábulo se refere às festividades de passagem de ano, embora a grafia oficialmente posta traz as iniciais minúsculas.

Caso você ainda tenha dúvida na hora de se deparar com tais situações, pode usar um atalho e escrever:

"Feliz Natal e boas festas", referências ao Natal em si e às festas da passagem de ano.

Sugerimos o comentário detalhado que fizemos acerca da Base XIX do Acordo:

Comentários sobre os empregos das iniciais maiúsculas e minúsculas

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